Tecnologia na Educação: quanto e como utilizar
A escola deve se
valer cada vez mais de recursos que facilitam a comunicação e o acesso à
informação sem, porém, se tornar refém deles.
As tecnologias de informação e
comunicação (TIC) estão transformando a vida em sociedade, mudando os serviços
e equipamentos usados em casas, indústrias, empresas, lojas, escritórios,
bancos e hospitais. É ilusório imaginar que elas não interferirão cada vez mais
nas escolas, cuja função, é claro, inclui informar e comunicar. Mas quanto e de
que forma lançar mão delas? Essa é uma questão discutida em todo o mundo. Já
tratamos do tema nesta coluna, quando sugerimos às redes de ensino o uso delas
para simplificar a rotina de educadores e escolas, como no controle de frequência
e desempenho de alunos.
Ao discutir o assunto, é preciso lembrar a disparidade de condições entre as
escolas do país, pois, enquanto algumas já trocam por tablets os notebooks com que os alunos
acessam a internet e a intranet, outras carecem de meios elementares, como
espaço - mas fazem um trabalho digno nas condições em que atuam.
Não esqueçamos que discussões em torno de recursos técnicos são antigas, como
usar ou não calculadoras ao estudar aritmética, questão que pode se repetir
agora, com relação à utilização do editor de texto no aprendizado de
ortografia. Evitemos, contudo, posicionamentos radicais, pró ou contra. O
essencial, naturalmente, é que o tecnológico esteja a serviço do pedagógico, e
não o contrário.
Certos recursos devem ser rapidamente incorporados ao instrumental educativo,
pois permitem, por exemplo, ver células vivas em três dimensões, observar
galáxias distantes por meio de um telescópio em órbita e acessar exposições de
arte e ciência em museus de todo o mundo. Em janeiro, em Londres, uma feira
mostrou as mais recentes novidades em tecnologia voltada à Educação, que ainda
não estão, obviamente, disponíveis nas redes brasileiras (leia a reportagem). No entanto, escolas públicas já
contam com telões, retroprojetores e, mais recentemente, tablets - e não é justo negar aos nossos
jovens oportunidades de contato com o conhecimento universal, pois o custo
disso é cada vez menor.
À medida que a nova cultura de comunicação vai sendo incorporada à vida
escolar, uma série de procedimentos de rotina se altera para melhor, assim como
outros surgem. Pode-se incrementar a comunicação entre escolas e famílias, de
certa forma restaurando um diálogo que foi maior no passado. Outra
possibilidade é partilhar com estudantes ou entre eles orientações e sugestões
de trabalho. Além disso, fica facilitado o intercâmbio entre escolas de
diversas regiões e mesmo de diferentes países, contribuindo para a formação de
uma cidadania global, em que ocorram intercâmbios culturais contínuos e o
exercício de solidariedade em desastres naturais e outras situações críticas.
Trata-se, enfim, de inserir a escola em uma inevitável transformação de alcance
mundial, mais do que levá-la a aderir a uma tendência transitória.
Ao educar para o uso dessas tecnologias, há aspectos que são de natureza
socioafetiva, e não simplesmente cognitiva. Um jovem que tenha centenas de
"amigos ou seguidores" numa rede social pode carecer de amigos com
quem partilhe sentimentos olhando nos olhos, troque observações sobre questões
sociais ou ambientais e faça arte, experimentações ou esportes coletivos.
Por isso, a escola deve ser um contraponto real ao mundo virtual, promovendo
aulas participativas, projetos sociais, grupos teatrais, hortas coletivas e
campeonatos esportivos, além de manter seus laboratórios sempre abertos. Nem
tudo é possível ao mesmo tempo, mas em cada atividade as tecnologias estarão a
serviço da vida escolar, que, sem ser sua refém, se beneficia delas. Seria
impensável, isso sim, ignorar a onda tecnológica que nos alcança. Se não
aprendermos a surfar nela, acabaremos submergindo.
Fonte: revistaescola.abril.com.br